• Maria Antonieta Voivodic

A influência da tecnologia na primeira infância.

Quando observamos um restaurante, chama-nos a atenção o grande uso de celulares sendo usados em todas as mesas. As pessoas estão sentadas juntas para fazer uma refeição, mas não compartilham esse momento, estando absorvidas nas redes sociais. No máximo tiram uma self do momento, para postar na rede social. Observamos que, não só os adultos demonstram esse comportamento. A maioria das crianças nas mesas, estão com iPads, tablets ou celulares, sendo “distraídas” para que se mantenham tranquilas e comam, sendo que muitos pais admitem que usam constantemente esse recurso no momento da refeição ou no carro.

Vivemos em tempos frenéticos, com aumento cada vez maior da tecnologia e o mundo infantil foi atingido em cheio por essas mudanças. O iPad por exemplo, já é companheiro imprescindível nas refeições de milhares de crianças. Aparelhos tecnológicos, profusão de brinquedos “educativos”, são recursos disponíveis para garantir que as crianças se mantenham ocupadas e tenham novas aprendizagens e estímulos.

A ideia de que a tecnologia traz ganhos ao desenvolvimento da criança pequena, é contestado por evidências apontadas pela Academia Americana de Pediatria, que mostra que, não só não há vantagens no uso de eletrônicos por crianças menores de 2 anos, como pode trazer riscos ao desenvolvimento. Os efeitos do uso exagerado de aparelhos tecnológicos pelas crianças, podem ser comportamentais, tais como, isolamento social, irritabilidade, ansiedade e dificuldade em lidar com a impulsividade, ou físicos, tais como, dores de cabeça, alteração no sono, comprometimento psicomotor e obesidade. Muitos pais, com a justificativa de que hoje é importante saber lidar com a tecnologia, pois traz novos aprendizados à criança, se orgulham de seus “pequenos” saberem usar tablets, smartphones, etc. Porém, muitas vezes, essas crianças não conseguem ainda calçar e amarrar seus sapatos.

A criança na primeira infância está na fase sensório-motora, onde ela aprende pela experiência, explorando, brincando criando e se relacionando.

O excesso de estímulos, principalmente visuais e sonoros, impedem que a criança organize seus pensamentos e atitudes. Querendo sempre propiciar estimulações, estamos roubando o tempo precioso que nossos filhos precisam para processar a quantidade enorme de informações e estímulos do mundo atual, impedindo que saibam lidar com seu tempo e seu desejo, escolhendo inclusive não fazer nada. O “tédio”, com o qual as crianças de hoje não sabem lidar, é a oportunidade de estimular o pensamento, a imaginação e a fantasia.

Porém, não podemos esquecer, que vivemos um novo tempo, onde as crianças desde cedo observam os adultos usando recursos tecnológicos e procuram imitá-los. Com certeza estarão mais estimuladas para isso e usarão estes recursos mais cedo. Portanto o equilíbrio e bom senso são os melhores caminhos para lidarmos com a situação, evitando o contato precoce (antes de 2 anos), propiciando a companhia de um adulto, interagindo com o material, permitindo o uso por um tempo curto e mesclado com brincadeiras mais livres e sensoriais.

A aprendizagem e desafios das brincadeiras livres, onde as crianças podem experimentar e criar, nunca poderão ser substituídas pelos aparelhos eletrônicos.

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O uso de eletrônicos por crianças menores de 2 anos pode trazer riscos ao desenvolvimento.

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