• Maria Antonieta Voivodic

Meu filho vai entrar na escola. E agora?

Atualizado: 30 de Jan de 2019


Com o início do ano escolar, muitas crianças irão pela primeira vez à escola. O começo da vida escolar de uma criança é um momento de grande importância, não só para ela, como também para a família, principalmente para a mãe. Além disso, a entrada na escola, é um evento muito esperado e valorizado socialmente. As dúvidas e angustias que os pais apresentam quando levam a criança pela primeira vez à escola, são legítimas e tão importantes quanto a resistência e medo que a criança experimenta ao entrar em contato com este novo universo. A entrada da criança na escola e a forma como é conduzida, são fundamentais na construção da matriz escolar da criança e repercutirá em suas próximas experiências escolares.

A escola infantil é para a criança um mundo de novidades e de exploração. Na escola ela estabelece novas relações afetivas, diferentes daquelas que tem com seus familiares e começa a se integrar com um grupo.

Porém, a criança precisa elaborar a separação dos pais, para poder formar vínculos no novo ambiente. O choro e a recusa em se afastar da mãe ou da pessoa conhecida que a acompanha, são as formas de reagir a um novo ambiente, que ela ainda não domina. O choro precisa ser entendido com uma expressão do sentimento da criança, sendo positivo, pois a criança está conseguindo se expressar. A segurança da criança depende de um adulto significativo, portanto a criança reagirá desta forma até que conheça e tenha confiança nos adultos da escola.

Torna-se fundamental que a criança, bem como os pais, necessitem de um período de adaptação a esta nova realidade. Ao conhecer o ambiente escolar, a criança precisa receber acolhimento e aconchego e que o novo espaço seja mostrado de forma atraente. A professora que considera esse momento como uma fase normal e esperada e um momento muito especial na vida da criança, terá mais tranquilidade para lidar com a situação, passará segurança para a criança e propiciará que ela supere esta fase com mais facilidade.

O primeiro passo é deixar que a criança explore livremente o espaço físico e observe as situações e as pessoas que compõem esse ambiente, ainda na companhia da mãe ou de outra pessoa em que confie.

Não podemos ignorar que a mãe também está em adaptação e precisará ser acolhida e orientada em seu novo papel, onde a professora assume o controle da situação. Muitas vezes, o choro da criança, fragiliza o adulto, que passa a viver sentimentos contraditórios: “Porque ela não está feliz? Será que estou fazendo o melhor?” A insegurança do adulto, estabelece um ciclo, onde a criança também não consegue se sentir segura, pois não encontra o apoio da pessoa que lhe é mais significativa.

É preciso tomar cuidado com a expectativa de que “toda criança vai chorar para entrar na escola”. Algumas crianças não manifestam esse comportamento e outras podem não chorar inicialmente e manifestar o choro algumas semanas depois, quando passa a novidade de explorar um novo ambiente, com novos brinquedos e começam a entrar na rotina escolar, o que confunde mais os pais, pois acreditam ter acontecido algum fato para desencadear o choro.

Acolher o sentimento dos filhos e ajuda-los neste processo, contribuirá para que cresçam e se tornem seguros, autônomos e independentes. A entrada da criança na escola por si só é um crescimento, mas que, como todo crescimento, pode causar alterações em seu comportamento e algum sofrimento. São indícios de que ela está abandonando alguns padrões, para exercitar novos.

Algumas atitudes anteriores à entrada da criança na escola, podem contribuir para a segurança dos pais e consequentemente da criança. Dentre elas é fundamental que os pais visitem diferentes escolas, conhecendo suas instalações e propostas educativas, esclareçam suas dúvidas e que façam a escolha de acordo com suas expectativas

É essencial que a escola de Educação Infantil esteja consciente da importância desta fase, para a criança e para os pais. Apresentando um mundo novo e divertido, permitindo a livre exploração da criança, acolhendo seus sentimentos com amorosidade, mas ao mesmo tempo estabelecendo limites, com suavidade e firmeza e propiciando apoio aos pais, é que os professores conduzirão este processo da melhor forma, enriquecendo o universo da criança, ampliando sua capacidade de explorar o mundo e estabelecer novas relações.

Maria Antonieta é psico-pedagoga e dona de uma escola infantil a mais de 30 anos.

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A escola infantil é para a criança um mundo de novidades e de exploração.

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