• Maria Antonieta Voivodic

Valorizando as diferenças na Educação Infantil.

Em termos ideais, falamos sempre em valorizar as diferenças, em todos os contextos. Porém, em termos reais, sentimos como é difícil, em nossa sociedade, que as pessoas sejam vistas e aceitas realmente como são, com suas peculiaridades e diferenças.

“A pluralidade é condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir” (Hannah Arendt).

Aprender é se relacionar com o outro aceitando-o como uma pessoa diferente e valorizando essa diferença para que ambos possam ser beneficiados.

Quando falamos em Educação que, a nosso ver, seria o caminho para levar a essa mudança de paradigma na sociedade, vemos com tristeza que, a maioria das escolas, buscam a igualdade de seus alunos, ainda colocando-os em uma “forma” à qual todos devem se adaptar para estarem naquela instituição e serem bem sucedidos no processo educacional.

As crianças que tem maneiras diferentes de ser ou pensar, que pertencem à famílias que também diferem em sua maneira de ver o mundo, geralmente não se adaptam à maioria das escolas e muitas vezes são “taxadas” como crianças com dificuldades.

Se pensarmos então em crianças que tenham alguma deficiência, que lhes propicie necessidades especiais, vemos o quanto nossas escolas estão longe de realmente aceitar, incluindo totalmente estas crianças em seu processo educacional, pois não se adaptam aos padrões existentes na escola. Já há algum tempo, a inclusão das crianças com deficiência é uma realidade, pois por lei, todas as crianças, com deficiência ou não, devem ser aceitas nas escolas. Mas, infelizmente, a lei, não faz mudar comportamentos arraigados em uma sociedade.

Pensando na Educação Infantil, vemos que geralmente, nesta etapa educacional, os problemas não aparecem com tanta intensidade, acontecendo de forma mais drástica na próxima fase, no Ensino Fundamental.

Porém nos perguntamos, será que as crianças com maneiras diferentes de ser e agir ou as crianças com deficiência, foram realmente inseridas na Educação Infantil? Ou apenas, nesta etapa, não se cobram tanto os resultados, que começarão a ser cobrados na fase posterior? Por que a criança tem que atender a estereótipos de conduta para estar inserida na escola?

Acreditamos que é na primeira infância que conseguiremos fazer mudanças estruturais em valores e formas de aceitar a si mesmo e aos outros. Acreditamos que é à partir da Educação Infantil que a escola começará a sofrer transformações, adquirindo novos paradigmas, mais humanos, que aceitem as pessoas como elas são, valorizando as diferenças dentro do contexto escolar e acreditando que essas diferenças trarão crescimento à todos, formando pessoas melhores, mais capacitadas para lidarem com a pluralidade humana. Entendemos que a educação é importante como fator de transformação para todos os indivíduos. Mas para isso as escolas precisarão passar por uma transformação profunda, deixando de querer encaixar as crianças em suas “formas” pré-estabelecidas de aprendizagem.

O objetivo primordial da escola deveria ser educar para ser, educar para conviver bem consigo e com os outros, educar para ser feliz.

Aprender é ter liberdade para experimentar, criar, partir para o novo. Aprender é se relacionar com o outro aceitando-o como uma pessoa diferente e valorizando essa diferença para que ambos possam ser beneficiados.

Acreditamos na Educação Infantil, como o primeiro passo para a mudança que queremos ver nas escolas e acreditamos na Educação como a única maneira de transformação de uma sociedade.

Estamos apenas iniciando essa mudança. Será um longo caminho para que todas as pessoas, independente de suas diferenças, crenças, formas de pensar, possam ter seus direitos respeitados, estejam realmente incluídas e fazendo parte da sociedade. A estrada será construída por pessoas que acreditam, com toda alma, que só com o respeito às diferenças, seremos mais dignos de nossa humanidade.

“Pertencer é estar no palco, sem ser herói ou vilão” (Paulo Ross)

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